segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O fantasma da Casa Burghardt

Casarão da Rua Lauro Müller e seus antigos moradores escondem muitos segredos

     Todos os meses a Fundação Cultural de Itajaí realiza na sua Galeria de Artes uma exposição. A do dia 05 de maio de 2009 era para ser mais uma das inúmeras exposições que já passaram pelo local. Mas, aquela noite de abertura não foi um dia qualquer e os fatos que aconteceram durante o evento são lembrados até hoje.

     Naquela noite, enquanto o público prestigiava a abertura da mostra, uma mãe levou sua filha até o corredor lateral do prédio e ambas sentaram num banco. Acima delas ficam as janelas do primeiro andar da casa e toda a parte administrativa da Fundação Cultural de Itajaí. Na janela, uma pessoa se aproximou e ficou a observar mãe e filha por um tempo.

     A mãe achou estranha a atitude da pessoa e relatou que tinha acontecido para a funcionária da Fundação Cultural, Elisiane Dalmolin, que estranhou o fato, já que as portas que levam até as salas do primeiro andar estavam trancadas e ninguém tinha autorização de subir até o local fora do expediente. Elisiane resolveu subir e ver quem era a pessoa que estava no primeiro andar. Ela abriu todas as salas e para sua surpresa e também das visitantes não havia ninguém. Tudo estava no seu lugar.
 
Corredor onde mãe e filha viram a misteriosa moradora da Casa Burghardt

     A história testemunhada por Elisiane é apenas uma de muitas histórias assustadoras que rondam o prédio da Fundação Cultural. Para muitos moradores de Itajaí, a pessoa que mãe e filha viram na janela é o fantasma da antiga proprietária da casa, a senhora Mathilde Bauer, conhecida como Dona Cachorrinha. Além de passos na escadaria de madeira que leva ao primeiro andar e de gemidos, Dona Cachorrinha já foi vista mais de uma vez, na janela da frente segurando uma vela.

     Verdade ou não, as histórias fantasmagóricas já fazem parte da cultura e da história de Itajaí. Antes de ser sede da Fundação Cultural, a casa foi residência e comércio da senhora Mathilde e de seus dois maridos, o primeiro Harry Hundt e segundo Nicolau Burghardt.

     A história começa no distante ano de 1902, quando o imigrante alemão Harry Hundt contratou o arquiteto também alemão Reinhold Roenick, para construir uma casa que servisse de residência e também para o comércio. A localização da casa foi uma exigência de Hundt. Situada na margem do rio Itajaí-açu, a casa possui duas fachadas: a principal, para a rua Lauro Müller e uma secundária, para o rio.
 
Mathilde Bauer, depois Hundt e por fim Burghardt morreu em 1955 

     Com a casa já erguida, em 1903, Hundt se casou com Mathilde Bauer. Com a palavra Hundt em alemão é cachorro, dona Mathilde ganhou o apelido de Dona Cachorrinha. O primeiro comércio foi uma Casa de Louças. Ainda em 1903, Harry Hundt faleceu em Hamburgo (Alemanha). A única foto que se tem do negociante alemão é dele dentro de um caixão.

     Em 1910, Matilde casou com outro rico comerciante, o senhor Nicolau Burghardt. O comércio continuou até a década de 1930, quando o térreo da casa se tornou sede da “Companhia Catharinense de Telégraphos” de Santa Catharina”. Em seguida a Casa Burghardt virou uma confeitaria. Nicolau faleceu na década de 1940 e Mathilde em 1955.
 

Harry Hundt morreu em Hamburgo em 1903. A única prova da sua morte na Alemanha é essa foto

     Após a morte da senhora Burghardt, a casa foi sede de um clube, o “Seares’s Bar”. Durante a década de 1960 começaram a surgir as primeiras histórias envolvendo o fantasma da senhora Burghardt, como explica o ex-superintendente da Fundação Cultural de Itajaí, Agê Pinheiro.

     - Muitas histórias são contadas em torno na mítica assombração de Mathilde Burghardt. Dizem que na época em que funcionou o Seare’s Bar uma dama vestida de branco aparecia no salão superior do casarão e quando a procuravam para dançar ela sumia – disse Agê Pinheiro. 

Nicolau  Burghardt é o último da esquerda para a direita

     Sobre a vida de Mathilde Burghardt pouco se sabe. A escritora Marlene Rothbarth, 77 anos, frequentou a casa junto com a mãe e se lembra da senhora Burghardt

    - Era uma pessoa calada e quieta. Não era de sorrir e sempre com semblante austero. Quando eu ia à casa junto com a minha mãe nós a encontrávamos sempre ela com avental. Na época morava com uma sobrinha, mas nunca teve filhos – conta a escritora.

7 comentários:

  1. Maria Mathiçlde Dal Col, filha de Frida e João Correa26 de março de 2012 12:35

    Muito estranho isso
    Para começar, o Seares Bar era no térreo do casarão de meus avós...
    Semblante austero? Minha avó vivia rodeada de amigas, sempre festejávamos Natal e aniversários com muita alegria ao som do piano que tocávamos, meu primo Vitor Hugo Loureiro e eu(ele que sempre estava presente nas festas, em companhia de sua namorada na época Ivete, que vive também ainda hoje. Minha avó Mathilde faleceu em 55 e meu avó no dia 13 de maio de 1963, dia também do nascimento de meu primeiro filho.
    Nicolau e Mathilde tiveram 3 filhas adotivas: Lony, Frida e Tina que foram suas herdeiras quando foi vendido o casarão. Podem verificar a documentação. Elas venderam para Herminio de Morais dono da Votorantim.
    No passado vieram até mim e minha irmã para darmos depoimentos a respeito, inclusive uma historiadora na época para a qual dei foto do meu avô e da minha avó quando de sua estada na Alemanha, com suas cunhadas(irmãs de Harry) Onde estão tais fotos?
    Gostaria que publicassem isso.
    Obrigada

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  2. Maria Mathilde Dal Col26 de março de 2012 12:40

    Na ultima foto estão os funcionarios da Empresa Força e Luz onde Nicolau Burkhardt trabalhou.
    O último da foto é Nicolau BURKHARDT e não Malburg.
    Por favor retifiquem

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    1. Identifiquei meu avo ADOLFO BLAESE ao lado do Sr Burghardt . Estou faz mas de um ano pedindo para que as autoridades corrijam a placa que esta na frente do casarão onde erroneamente aparece CASA BUGHARDT e não BURGHARDT.

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  3. Prezada senhora Maria Mathilde Dal Col.

    Agradeço pelas observações sobre a sua avó adotiva, a senhora Mathilde Burghardt. As informações para a elaboração do texto foram coletadas no Centro de Documentação Histórica de Itajaí. Fora a escritora Marlene Rothbarth, não encontrei mais ninguém para fornecer dados.

    O sobrenome Burghardt, encontrei no registro de óbito do senhor Nicolau com a letra G e não K. A mesma grafia aparece em outros documentos.

    Tenho muito interesse de fazer um novo texto. Meu e-mail é anovaericeira@gmail.com

    Mais uma vez agradeço e estou a sua disposição,

    Atenciosamente,

    Rogério Pinheiro
    Jornalista

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  4. Nossa... que historias legais de Itajaí, lembro-me bem quando criança que minhas tias contavam da mulher de branco que aparecia no
    Seares bar, eu tinha medo e um dia pedi pra me levarem lá pra verificar..parabéns pelo blog, amei ler isso..

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  5. Passei grande parte de minha infância e adolescência no terreo deste casarão (meados dos anos 60 até 79) pois era ali que funcionava a CASA OPERÁRIA, um comércio de confecções, calçados e brinquedos, de propriedade de meus pais (Ruth Breitenbauch Klotz e Zendor Klotz), onde minha mãe praticava seus dotes de boa comerciante, atendendo sua clientela diversificada e predominantemente de clase média.Em 68, meus pais abriram a Casa Cruzeiro, na rua Hercílio Luz (onde hj funciona a Damiller) na esquina oposta a da farmácia catarinense.Meus pais mantiveram as duas lojas até 1979 quando se desfizeram destes dois estabelecimentos comeciais.Passei bons momentos de minha infância no terreo deste casarão e lembro-me como se fosse hoje do "Seare's bar", do Sebastião Reis, que abria todos os dias às 17h e ia madrugada adentro.Recordo-me do balcão almofadado de cor vinho e revestido em couro e dos garçons impecavelmente vestidos de paletó branco,do bar desta casa noturna, local de encontros sociais e namoros da Itajaí daqueles tempos.Tenho na lembrança uma moradora dos fundos deste casarão (creio que filha de "Dona cachorrinha) que curiosamente tinha alguns câes da raça "pequinês" muito populares naquela época...Nas tardes brincava no mesanino da loja e por uma fresta podia ver o salão, as mesas e cadeiras do local da pista de danças do Seare's bar...que habitavam a imaginação do menino tímido, porém curioso que eu era.
    Gerd Klotz

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  6. Só para registro: o bar no térreo antes de se chamar SEARES, era OASIS BAR e foi fundado por Pedro Rebello.O som ambiente era de uma eletrola e todas as vezes que um casal dançava de rosto colado, o Sr. Pedro corria para reduzir o volume. Pertenceu depois a uma aeromoça chamada Jurema e só depois foi adquirido por Sebastião Reis, que alterou o nome do local(daí o nome SEARES - formado pela junção do nome Sebastião Armando Reis). Frequentei muito esse bar, desde o início e essa é primeira vez que tenho conhecimento do fantasma de uma mulher. Interessante a história.

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