quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ex-vereador de 94 anos desaprova atitude de colegas mais jovens

Para Tito Filomeno vereadores deveriam estar preocupados com problemas de Itajaí e não com assuntos pessoais
A sabedoria que falta para muitos vereadores de hoje, sobra para o senhor Vicente Tito Filomeno, nos seus 94 anos. Tito Filomeno foi vereador em Itajaí, numa época que não havia salário, assessores e outras mordomias. Numa época em que os parlamentares tinham o dia descontado do trabalho toda a vez que eram obrigados a ir nas sessões. Os ex-vereadores vêm, segundo a opinião do próprio Tito Filomeno, de um período em que se legislava com preocupação de atender a comunidade e não a interesses pessoais.


Muito diferente do que os políticos fazem atualmente. Um exemplo, ou melhor, um mau exemplo surgiu do lugar que seu Tito Filomeno trabalhou de graça, a Câmara de Vereadores de Itajaí. Mesmo com a opinião pública totalmente contra, os parlamentares aprovaram o aumento de 12 para 21 vereadores.

A medida vale para a próxima legislatura. Durante dois Meses aconteceram protestos de repúdio a medida no município. O Observatório Social de Itajaí,que representa entidades civis organizadas do município, chegou a entregar no dia da votação um abaixo-assinado com cerca de 9 mil assinaturas, mas nada adiantou. Para o ex-vereador de 94 anos, a atitude vai gerar um gasto desnecessário para os cofres públicos.

Segundo Tito Filomeno, o dinheiro poderia ser utilizado para obras que Itajaí precisa.

- Eu acho que funciona muito bem como está, com 12 vereadores. Se nós olharmos para a nossa cidade falta muita coisa. Nós não temos um bom hospital ou uma linha de ônibus que preste. Eu acho uma sangria, o município não pode custear mais essa despesa – desabafou.
Vereadores, mesmo contra a vontade popular, aumentaram o número de cadeiras no legislativo de Itajaí
Vicente Tito Filomeno nasceu em Florianópolis, em 11 de março de 1917, de pai italiano e mãe brasileira. Ele veio morar em Itajaí, em 1939. Tito foi vereador entre 1951 e 1955. Tito Filomeno antes de ser vereador foi também maquinista da Marinha Mercante e se aposentou como funcionário da Previdência Social.

Getulista ferrenho, Tito Filomeno se filiou ao PDT, mas largou a política no fim do seu primeiro mandato.

- Eu me decepcionei com a política, não vou usar o termo enojado, mas perdi o interesse – explica.

De acordo com o ex-vereador, na década de 1950, o trabalho na Câmara de Vereadores era muito diferente do que é hoje.

- Não tinha nada, nem caneta e nem papel. A prefeitura nem sequer fornecia um funcionário para nos ajudar. Além do trabalho não ser remunerado, nós éramos obrigados a ir trabalhar de terno e gravata durante as sessões que aconteciam todas as terças e quintas- feiras.

Tito Filomeno contou que chegou até a ter o salário descontado para poder participar das votações na Câmara de Vereadores.

- Eu era agente marítimo e no fim do mês se fazia um relatório dizendo que o tal funcionário havia comparecido nas sessões tal dia, tal hora. Havia meses que eu tinha o salário descontado por ter optado em ir às sessões. Foram tempos difíceis - recorda.

Para Tito Filomeno, o vereador de hoje perdeu o amor pela camisa e só trabalha por causa do dinheiro.

- Hoje vale a pena ser vereador de Itajaí e vale a pena por causa do dinheiro. São todos uns mercenários. Aquele amor que gente tinha antigamente hoje não existe mais. – con
cluiu o ex-vereador.

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