quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Livro revela como o maior investimento público em Santa Catarina no século XIX se transformou num grande esquema de corrupção


Até 1818, o litoral centro-norte catarinense estava praticamente desabitado. Tudo começou a mudar com a criação de uma colônia pesqueira na Enseada das Garoupas. A iniciativa atraiu portugueses da Ericeira (uma vila portuguesa próxima a Lisboa) e moradores de Santo Antônio de Lisboa (Florianópolis). O empreendimento despertou também a atenção de um grupo político, que aproveitou da falta de fiscalização para desviar o dinheiro destinado para construção dos barcos de pesca.  

Os bastidores da criação Colônia Nova Ericeira é o tema do livro-reportagem “1818 — A história da colônia criada por Dom João VI que foi alvo de disputa entre brasileiros e portugueses no século XIX”, de autoria do jornalista Rogério Pinheiro. A obra será lançada no dia 26 de novembro, às 19h30, na Livraria Catarinense do Itajaí Shopping. 
    
A Colônia Nova Ericeira foi fundada no dia 25 de março de 1818 com o propósito de ser o primeiro empreendimento pesqueiro do Brasil. A região estratégica, preocupava o governo português pela falta de moradores e por ter no seu calcanhar, os espanhóis, que invadiram a Ilha de Santa Catarina em 1777.

            O empreendimento pesqueiro foi o maior investimento público em Santa Catarina no século XIX. O governo português injetou mais de 500 milhões de réis (uma fortuna na época) para a compra de terras, construção de casas, barcos para pesca em alto-mar, ajuda de custo para manutenção das famílias e do aparato administrativo da Nova Ericeira.

Corrupção

Na teoria, a colônia tinha tudo para dar certo. O litoral do Sul do Brasil (incluía na época também o Uruguai) praticamente se encontrava inexplorado, com grandes cardumes à espera dos primeiros barcos de pesca e com um mercado consumidor em expansão. Havia terras para assentar os colonos e dinheiro, muito dinheiro para fazer o negócio funcionar.

            Na prática, o que se viu mais tarde foi um show de horrores. O mesmo governo que injetou milhões na Nova Ericeira foi incapaz de fiscalizar a colônia. Sem controle, o empreendimento pesqueiro caiu nas mãos de um grupo político formado por brasileiros e portugueses. Juntos formaram um sofisticado esquema de corrupção, que fez escola em Santa Catarina.

Com o fim da colônia em 1824, o grupo político que lapidou os recursos destinados à compra de terras e barcos de pesca, fez de tudo para destruir provas e colocar a culpa nos pescadores. Os colonos da Nova Ericeira ficaram conhecidos na história como vagabundos, preguiçosos, que vieram de Portugal para ganhar dinheiro sem trabalhar. E, na verdade, foram vítimas do grupo político.

Curiosidades

O livro traz muitas curiosidades envolvendo personalidades históricas brasileiras, por exemplo, a participação de José Bonifácio de Andrada e Silva no processo de criação da Nova Ericeira. O patriarca da Independência do Brasil conhecia o litoral catarinense, a Ericeira e chegou a escrever um estudo pesqueiro em 1812.

Outra curiosidade está relacionada com “Os Lusíadas”. Em 1845, um senador catarinense presenteou o imperador Dom Pedro II com o livro, que pertenceu ao próprio Luís de Camões. A obra rara está envolta em uma grande polêmica e quase gerou uma crise diplomática entre o Brasil e Portugal na década de 1970.

Pesquisa

Para produzir o livro-reportagem foram analisados mais de 10 mil documentos, entre registros paroquiais, periódicos, artigos e livros. Em Portugal, foram realizadas pesquisas in loco no Arquivo da Torre do Tombo em Lisboa, no Arquivo Público Dom Pedro V em Mafra e da Santa Casa de Misericórdia da Ericeira. No Brasil, as pesquisas foram centradas nos arquivos públicos do Estado de Santa Catarina, Municipal de Florianópolis e Municipal de Itajaí, além do acervo digital da Biblioteca Nacional e da Hemeroteca Catarinense. 

O autor

Jornalista formado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Rogério Pinheiro é paulista da cidade de Guarujá (SP), mas reside há mais de 20 anos em Navegantes (SC). Já trabalhou em jornais e rádios do litoral norte catarinense. É autor do livro “A Nova Ericeira” e dos documentários “Ericeira: um mar de história” e “Navegantes”. Trabalha atualmente como produtor cultural, pesquisador e editor independente.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Livro 1818


  

  
“1818” vai mostrar como a criação de uma colônia pesqueira no litoral de Santa Catarina se transformou em um dos maiores esquemas de corrupção do Brasil na primeira metade do século XIX.

Lançamento do livro acontece no dia 26 de novembro, às 19h30, na Livraria Catarinense do Itajaí Shopping.  

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Os 200 anos da viagem que mudou a Ericeira e Nova Ericeira

Imagem ilustrativa. Rasca (embarcação típica da Ericeira). Foto: Divulgação


Há exatamente 200 anos, uma embarcação partia do Porto de Lisboa para o Sul do Brasil. Levava dezenas de moradores da Ericeira (Portugal) para povoar uma colônia fundada um ano antes na Enseada das Garoupas, litoral do estado de Santa Catarina. Levava também o projeto grandioso de transferir um município português inteiro para o Brasil. Seria uma cidade tão grande quanto Lisboa, um novo município, uma Nova Ericeira.

Na tarde daquele dia 27 de setembro de 1819, esses moradores embarcaram na Galera Conde de Peniche, barco que fazia o transporte de passageiros entre Brasil e Portugal, para colocar em prática o tal projeto grandioso. A viagem seria longa e cansativa, quase três meses a navegar pelo Atlântico. Até 1821, outras dezenas de moradores da Ericeira seguiram o mesmo sonho.

A história mostrou que não foi isso que aconteceu. O sonho se transformou em pesadelo quando os ericeirenses chegaram na Enseada das Garoupas, hoje o município de Porto Belo. A Nova Ericeira foi alvo de disputa entre brasileiros e portugueses no século XIX. A corrupção tão discutida hoje fazia parte do cotidiano da colônia e era praticada sem o menor pudor.  

Toda essa história estará no livro 1818, que irá abordar também os bastidores da colônia criada por Dom João VI e as consequências para a Ericeira e a Nova Ericeira. O livro-reportagem tem lançamento previsto para novembro de 2019, no Brasil. Em Portugal, a obra deve ser lançada em abril de 2020. 

domingo, 25 de novembro de 2018

Livro que conta história de Navegantes nos jornais será lançado nesta quinta-feira


Na próxima quinta-feira (29), a partir das 19h30, a Fundação Cultural de Navegantes lança o livro “Notícias de Navegantes”, que conta a história do município pelas páginas dos jornais antigos de Itajaí dos últimos 100 anos.
O lançamento acontece na Biblioteca Municipal Cruz e Sousa, anexo ao Centro Integrado de Cultura (CIC) de Navegantes, localizado na Rua Maria Leonor da Cunha, nº 432, ao lado do Ginásio de Esportes, Centro. 
De autoria de Vera Lúcia de Nóbrega Pecego Estork, a obra traz mais de 200 notícias de jornais arquivados na Hemeroteca do Arquivo Público de Itajaí, no período de 1899 a 2008.  Foram pesquisados 9.654 exemplares de jornais do Arquivo Público de Itajaí.
O livro traz também muitas curiosidades, como a primeira partida de futebol entre mulheres, jogo esse que aconteceu em 1964, e também a polêmica emissão do carnê de IPTU pela Prefeitura de Itajaí aos moradores da “Rua dos Velhacos”.
Além das notícias antigas, o leitor poderá conferir entrevistas com personagens das histórias, por exemplo, o caso do vereador que foi de bermuda e chinelo para a cerimônia de diplomação em 1962.
O livro “Notícias de Navegantes” foi contemplado pelo edital Vilma Mafra de Apoio à Cultura de Navegantes 2018 e conta com o patrocínio da Prefeitura de Navegantes, Fundação Cultural e Sistema Municipal de Financiamento da Cultura.
Moradora de Navegantes há 28 anos, Vera Estork é bibliotecária aposentada e trabalhou por mais de 20 anos no Centro de Documentação e Memória Histórica da Fundação Genésio Miranda Lins de Itajaí, onde foi coordenadora e diretora de 1998 a 2012.
Segundo Vera Estork, um dos objetivos do livro é a criação do Arquivo Público de Navegantes.
- O livro também tem o propósito de sensibilizar o poder público à criação do Arquivo Público de Navegantes, possibilitando à comunidade o acesso à informação, ao pleno exercício da cidadania e a preservação de sua história – completa a autora.

domingo, 29 de julho de 2018

Os 200 anos da Nova Ericeira em Camboriú

Roda de conversa dos 200 anos da Colônia Nova Ericeira/Foto Fábio Borba

Camboriú recebeu na noite da última sexta-feira (27), uma roda de conversa que teve como tema os 200 anos da Colônia Nova Ericeira. A roda de conversa foi realizada na Fundação Municipal de Cultura e contou com a presença de jornalistas, escritores e historiadores do litoral norte catarinense. O evento fez parte do 2º Colóquio dos Escritores Camboriuenses.

Participaram da roda de conversa Teresa Santos da Silva (Camboriú), Magru Floriano (Itajaí), Rogerio Pinheiro (Navegantes), Cláudio Bersi (Penha), José Angelo Rebelo (Camboriú), Edson d'Ávila (Itajaí) e Isaque de Borba (Balneário Camboriú).

- A criação da Colônia Nova Ericeira foi também estratégica. A colônia serviu de apoio à Intendência da Marinha em Santa Catarina antes de 1818 – explicou o historiador Edson d'Ávila durante a roda de conversa.


Instituída por Dom João VI no dia 25 de março de 1818, na Enseada das Garoupas (Porto Belo), a Nova Ericeira é considerado o primeiro empreendimento pesqueiro do Brasil. Cerca de 300 pessoas, a maioria pescadores, vieram da Ericeira (Portugal), vila turística localizada a 40 quilômetros de Lisboa.

As terras que abrangiam a Nova Ericeira iam de Governador Celso Ramos (Ganchos) até Penha. Sendo um projeto português, a colônia foi extinta após a Independência do Brasil em 1822.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Camboriú recebe evento dos 200 anos da Nova Ericeira nesta sexta



As comemorações dos 200 anos da Colônia Nova Ericeira continuam. Nesta sexta-feira (27), às 19h, a cidade de Camboriú recebe o evento, que terá uma roda de conversa com a participação de jornalistas, pesquisadores e historiadores de Camboriú e região. O evento gratuito acontece na sede da Fundação Municipal de Cultura e faz parte do 2º Colóquio dos Escritores Camboriuenses.

Já confirmaram presença na roda de conversa Magru Floriano, Rogerio Pinheiro, Cláudio Bersi, José Angelo Rebelo, Telmo Tomio, Dieter Hans Kohl e Isaque de Borba. A Fundação Cultural de Camboriú fica na rua Hercílio Zuchi, nº 160, anexo ao Ginásio Esportes Irineu Bornhausen.

Instituída por Dom João VI no dia 25 de março de 1818, na Enseada das Garoupas (Porto Belo), a Nova Ericeira é considerado o primeiro empreendimento pesqueiro do Brasil. Cerca de 300 pessoas, a maioria pescadores, vieram da Ericeira (Portugal), vila turística localizada a 40 quilômetros de Lisboa.

As terras que abrangiam a Nova Ericeira iam de Governador Celso Ramos (Ganchos) até Penha. Sendo um projeto português, a colônia foi extinta após a Independência do Brasil em 1822.

sábado, 21 de julho de 2018

Para pesquisador, história de Balneário Camboriú deveria começar em 1818

Floriano acredita que a história de Balneário Camboriú deveria começar pela Nova Ericeira/Foto Lilian Martins

A Fundação Cultural de Balneário Camboriú realizou na noite de quarta-feira (18), uma roda de conversa para lembrar os 200 anos da Colônia Nova Ericeira. Durante o evento, o pesquisador Magru Floriano, disse que a história de Balneário Camboriú deveria começar em 1818, quando é criada oficialmente a Colônia Nova Ericeira.

- O ponto de partida seria a Nova Ericeira. Antes tudo era Porto Belo e até mesmo Balneário Camboriú. Quem quiser escrever algo sobre o município deveria começar pela Colônia Nova Ericeira – explica.

Floriano lamenta a falta de interesse por história regional.   

- Nos últimos anos perdemos ótimos historiadores, que pesquisavam história regional. Um foi para Bahia, outro para Pernambuco e agora estão envolvidos em outros projetos. O próprio curso de história da Univali não possui mais nenhum núcleo de história regional. Estamos perdendo também as nossas fontes de pesquisa -  comenta o pesquisador.

Kohl: Falta de incentivo para construção de barcos também contribuiu para o fim da colônia/ Foto Rogério Pinheiro

A Nova Ericeira foi criada oficialmente no dia 25 de março de 1818, na Enseada das Garoupas, hoje Porto Belo. Mais de 300 pessoas vieram da Ericeira (Portugal) para povoar o litoral catarinense entre Governador Celso Ramos (Ganchos) e Itajaí. Sendo um projeto do governo português, a Nova Ericeira foi extinta após a Independência do Brasil.

- Foi extinta também devido à falta de apoio do Reino de Portugal e estímulo para construção de barcos para a pesca. Foram construídos apenas dois barcos, um deles menor e sem capacidade para a pesca em alto-mar – conta o escritor Dieter Hans Kohl.

A historiadora de Balneário Camboriú Mariana Schlickmann também participou da roda de conversa/Foto Lilian Martins 

Além de Floriano e Kohl, a roda de conversa contou também com a presença da historiadora Mariana Schlickmann, da professora Cláudia Marisene e dos pesquisadores Isaque de Borba e Rogério Pinheiro.

A próxima cidade a receber o evento de comemoração dos 200 anos da Nova será Camboriú, no dia 27 de julho.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Balneário Camboriú comemora os 200 anos da Colônia Nova Ericeira na quarta-feira



2018 é o ano do bicentenário da Colônia Nova Ericeira. Para comemorar a data, a Fundação Cultural de Balneário Camboriú promove uma roda de conversa na próxima quarta-feira (18), às 19h, na Galeria Municipal de Arte. A iniciativa faz parte das comemorações do aniversário de 54 anos de Balneário Camboriú. A entrada é gratuita.

A roda de conversa terá a participação de historiadores, pesquisadores e jornalistas de Itajaí e região. Entre eles Mariana Schlickmann (Balneário Camboriú), Cláudia Marisene (Balneário Camboriú) Magru Floriano (Itajaí), Isaque de Borba (Camboriú), Dieter Hans Kohl (Porto Belo) e Rogério Pinheiro (Navegantes). 

Além de Balneário Camboriú, as comemorações dos 200 anos da Nova Ericeira serão realizadas até novembro de 2018 em outras cinco cidades catarinenses. Bombinhas, Navegantes, Penha e Itajaí já receberam o evento.
A Galeria Municipal de Arte fica na Avenida Central nº 50, esquina com a Rua 300 (prédio do Teatro Municipal Bruno Nitz), Centro.

Nova Ericeira

A Nova Ericeira foi criada oficialmente no dia 25 de março de 1818, na Enseada das Garoupas, hoje Porto Belo. Mais de 300 pessoas vieram da Ericeira (Portugal) para povoar o litoral catarinense entre Governador Celso Ramos (Ganchos) e Itajaí. Sendo um projeto do governo português, a Nova Ericeira foi extinta após a Independência do Brasil. Balneário Camboriú e outras nove cidades fizeram parte da colônia.

O principal legado deixado pela Colônia Nova Ericeira pode ser encontrado hoje na pesca. Os pescadores ericeirenses trouxeram técnicas pesqueiras que foram passadas de geração em geração. A mão de obra qualificada no setor foi fundamental para o desenvolvimento pesqueiro catarinense. 

 Ericeira

Local de passagem e instalação dos fenícios há 1000 antes de Cristo, a Ericeira é uma vila turística situada a 35 km a noroeste do centro de Lisboa. Ericeira significa "terra de ouriços", devido aos numerosos ouriços do mar que podiam ser encontrados nas suas praias. O primeiro documento que faz referência à pesca é de 1229, quando foi criado o município da Ericeira.

A Ericeira hoje é um dos principais destinos turísticos de Portugal. A vila é a única Reserva Mundial de Surf da Europa e a segunda do planeta (a primeira foi criada em Malibu, Califórnia, Estados Unidos).

quinta-feira, 5 de julho de 2018

200 anos da Nova Ericeira em Balneário Camboriú



Depois de Bombinhas, Itajaí, Navegantes e Penha, agora é a vez de Balneário Camboriú receber o evento dos 200 anos da Nova Ericeira. A roda de conversa acontece na Galeria Municipal de Arte no dia 18 julho, às 19h, e faz parte das comemorações dos 54 anos de Balneário Camboriú. A iniciativa tem o apoio da Fundação Cultural de Balneário Camboriú. A entrada é franca.

A roda de conversa terá a participação de historiadores, pesquisadores e jornalistas de Balneário Camboriú e região.

A Galeria Municipal de Arte fica na Avenida Central nº 50, esquina com a Rua 300 (prédio do Teatro Municipal Bruno Nitz), Centro de Balneário Camboriú.

Nova Ericeira

A Nova Ericeira foi criada oficialmente no dia 25 de março de 1818, na Enseada das Garoupas, hoje Porto Belo. Mais de 300 pessoas vieram Ericeira (Portugal) para povoar o litoral catarinense entre Governador Celso Ramos (Ganchos) e Itajaí. Sendo um projeto do governo português, a Nova Ericeira foi extinta após a Independência do Brasil. Balneário Camboriú e outras nove cidades fizeram parte da colônia.

       O principal legado deixado pela Colônia Nova Ericeira pode ser encontrado hoje na pesca. Os pescadores ericeirenses trouxeram técnicas pesqueiras, que foram passadas de geração em geração. A mão de obra qualificada no setor foi fundamental para o desenvolvimento pesqueiro catarinense. 

 Ericeira

        Local de passagem e instalação dos fenícios há 1000 antes de Cristo, a Ericeira é uma vila turística situada a 35 km a noroeste do centro de Lisboa. Ericeira significa "terra de ouriços", devido aos numerosos ouriços do mar que podiam se encontrados nas suas praias. O primeiro documento que faz referência à pesca é de 1229, quando foi criado o município da Ericeira.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Itajaí comemora os 200 anos da Nova Ericeira nesta sexta-feira

 
Pesca foi um dos legados deixados pela Nova Ericeira em Itajaí/Foto Arquivo Público de Itajaí

2018 é o ano do bicentenário da Colônia Nova Ericeira. Para comemorar a data, a Secretaria de Pesca de Itajaí organiza uma roda de conversa nesta sexta-feira (2), às 19h, no salão nobre do Museu Histórico. A iniciativa conta com o apoio da Fundação Cultural de Itajaí. A entrada é gratuita.

A roda de conversa terá a participação de historiadores, pesquisadores e jornalistas de Itajaí e região. Entre eles Magru Floriano, Edson d’Ávila, Dieter Hans Kohl, Cláudio Bersi e Rogério Pinheiro.

Durante o evento será apresentado um estudo que comprova a ligação de Itajaí com a Colônia Nova Ericeira e sua importância para o desenvolvimento pesqueiro do município. Itajaí já reconhece oficialmente a ligação com a Nova Ericeira.

Museu Histórico de Itajaí recebe o eventos dos anos da Nova Ericeira no dia 2 de fevereiro de 2018/Foto Prefeitura de Itajaí

As comemorações dos 200 anos da Nova Ericeira começaram em setembro de 2017, em Bombinhas. O evento já foi realizado em Navegantes e Penha. Depois de Itajaí, outras seis cidades do litoral catarinense devem receber o evento. 

Nova Ericeira

A Nova Ericeira foi criada oficialmente no dia 25 de março de 1818, na Enseada das Garoupas, hoje Porto Belo. Mais de 300 pessoas vieram Ericeira (Portugal) para povoar o litoral catarinense entre Governador Celso Ramos (Ganchos) e Itajaí. Sendo um projeto do governo português, a Nova Ericeira foi extinta após a Independência do Brasil. Itajaí e outras nove cidades fizeram parte da colônia.

O principal legado deixado pela Colônia Nova Ericeira pode ser encontrado hoje na pesca. Os pescadores ericeirenses trouxeram técnicas pesqueiras, que foram passadas de geração em geração. A mão de obra qualificada no setor foi fundamental para o desenvolvimento pesqueiro catarinense.  

 Ericeira

Local de passagem e instalação dos fenícios há 1000 antes de Cristo, a Ericeira é uma vila turística situada a 35 km a noroeste do centro de Lisboa. Ericeira significa "terra de ouriços", devido aos numerosos ouriços do mar que podiam se encontrados nas suas praias. O primeiro documento que faz referência à pesca é de 1229, quando foi criado o município da Ericeira.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Câmara de Porto Belo aprova acordo de cooperação com Mafra em Portugal

Vista do bairro do Araçá, em Porto Belo/Foto João Filho Fotografado Porto Belo (Facebook)

De autoria do vereador Marcos Marques (PRB), a Câmara de Porto Belo aprovou na última quarta-feira (13), por unanimidade, o Projeto de Lei que estabelece cooperação cultural e socioeconômica entre os municípios de Porto Belo e Mafra em Portugal. O projeto segue agora para sanção do prefeito Emerson Stein (PMDB).

O principal objetivo do acordo é promover a aproximação entre os bairros de Araçá, em Porto Belo, e a freguesia da Ericeira, no Concelho de Mafra. O Projeto de Lei deve ajudar futuramente no processo de geminação entre os municípios.

Praia dos Pescadores na Ericeira/Foto Rogério Pinheiro

A ideia é possibilitar a troca de experiências entre as duas comunidades. A cooperação entre as comunidades do Araçá e da Ericeira devem abranger o turismo, pesca, meio ambiente, educação e cultura. 

Porto Belo e Mafra possuem ligação histórica, principalmente por parte da criação da Colônia Nova Ericeira em março de 1818. Ericeira hoje é uma freguesia de Mafra, mas até 1855, era um município.

Da Ericeira, vieram cerca de 300 colonos que povoaram Porto Belo e a região. Além disso, dados históricos apontam que moradores da Ericeira e também de Mafra já estavam no Sul do Brasil em 1750.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Noite Cultural celebra os 200 anos da Nova Ericeira na Penha

O escritor Dieter Hans Kohl, de Porto Belo, fez uma apresentação sobre a Colônia Nova Ericeira/Foto Rogério Pinheiro

O município de Penha realizou na noite de quinta-feira (30), a 1ª Noite Cultural Folclórica. O evento, que contou com apresentações artísticas, marcou as comemorações dos 200 anos da Colônia Nova Ericeira na cidade. O encontro aconteceu no Porto Penha Food Park, no bairro Armação. A iniciativa teve o apoio da Fundação Cultural de Penha. 

O Grupo de Boi de Mamão Infantil, formado por alunos da Escola Básica Municipal João Batista da Cruz, abriu o evento, que foi acompanhado por um público de cerca de 100 pessoas.  Dança de São Gonçalo e músicas do Grupo Itapocoróy, do bairro Armação, completaram a 1ª Noite Cultural Folclórica. 

Boi de Mamão Infantil foi uma das apresentações culturais do evento na Penha/Foto Rogério Pinheiro

O evento teve ainda a exibição do documentário “Navegantes” e de uma roda de conversa com jornalistas, pesquisadores e escritores de Penha e região. Entre eles, Magru Floriano, Rogério Pinheiro, Eduardo Bajara Souza, Dieter Hans Kohl, Isaque de Borba Correa e Cláudio Bersi. 

O escritor e pesquisador, Dieter Hans Kohl, de Porto Belo, fez uma apresentação sobre a Colônia Nova Ericeira. Já o escritor Cláudio Bersi, de Penha, falou sobre a história do município e também sobre a pesca da baleia, especialmente a Armação Baleeira de Itapocorói, fundada em 1778. 

Documentário "Navegantes" foi exibido durante o evento dos 200 anos da Nova Ericeira/Foto Rogério Pinheiro

Para o jornalista e pesquisador, Rogério Pinheiro, Penha estava no plano de expansão da Colônia Nova Ericeira, mas o projeto foi abandonado após a Independência do Brasil, em 1822. 

- A partir de 1821 outras sesmarias foram doadas para expansão da colônia e Penha tinha terras para esse fim. A falta de recursos para os pescadores da Ericeira (Portugal) e a demora na transferência das terras contribuíram para o fim da Nova Ericeira em 1824. A independência também teve um papel importante, já que todos os projetos de Portugal foram abandonados e a Nova Ericeira era um deles – explica. 

Roda de conversa contou com a participação de pesquisadores, escritores e jornalistas/Foto Rogério Pinheiro

Apesar do fim da Colônia Nova Ericeira, a ideia principal, promover a pesca foi mantida. 

- Não saiu como planejado e demorou mais tempo do que previsto, mas a pesca em Santa Catarina se destacou no Brasil e isso graças à Nova Ericeira. A técnica pesqueira é o principal legado deixado pela Colônia Nova Ericeira e Penha também faz parte desse legado – conclui o pesquisador. 

Cláudio Bersi falou sobre a Armação Baleeira de Itapocorói, fundada em 1778/Foto Rogério Pinheiro

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Sábado tem lançamento do livro “Memórias do Sertão” em Itapema

Dona Dulce lança seu primeiro livro em Itapema/Foto Rogério Pinheiro

Contemplado pela Lei de Incentivo à Cultura de Itajaí de 2017 e com patrocínio da Brasfrigo, o livro “Memórias do Sertão”, de Dulceclea Marcolino da Silva, será lançado neste sábado (25), às 16h, no Mercado Municipal de Itapema. O lançamento faz parte da programação do Brique Cultural de Itapema.

Com 160 páginas, “Memórias do Sertão” conta a história de dona Dulce do Sertão do Trombudo, bairro rural de Itapema, até Itajaí dos anos de 1970. São mais de 40 anos de memórias, que passam por momentos marcantes da história itajaiense. 

Filha de lavradores do Sertão do Trombudo, em Itapema, dona Dulce, 66 anos, teve a ideia de escrever o livro quando começou a trabalhar no Arquivo Público de Itajaí. Foi lá, no meio de livros e pesquisadores, que ela também se interessou em deixar por escrito as suas memórias.
 
Estrada de Santa Luzia, em Tijucas, na década de 1950/Foto Tijucas de Antigamente

Dulce aprendeu a escrever nas escolas rurais do Sertão do Trombudo e estudou só até aos 12 anos. Aos 17 anos, saiu do sítio do pais e foi trabalhar em casas de família em Florianópolis e Blumenau. Em 1972, foi morar no bairro Matadouro, em Itajaí. No Matadouro, ela conheceu o marido José Nivaldo Marcolino da Silva, com quem é casada há 44 anos.

Para ajudar a sustentar a família, trabalhou como doméstica e em empresas de pesca até prestar concurso público para o cargo de auxiliar de serviços gerais pela Prefeitura de Itajaí. Por mais de dez anos, Dulce foi merendeira nas escolas municipais e é lembrada até hoje pelos ex-alunos.

Bairro Matadouro, em Itajaí, na década de 1970/Foto Arquivo Público de Itajaí

O Brique Cultural acontece entre as 9h e às 18h e terá ainda apresentações de dança, teatro, música ao vivo, feira de artesanato e troca de livros. O Mercado Público de Itapema fica na rua 112, nº 69, Centro.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Livro "O Aeroporto de Itajaí" será lançado em Festival Literário nesta quinta-feira

Aeroporto de Itajaí na década de 1950/Foto Arquivo Público de Itajaí 

O 1º Festival Literário de Itajaí começa nesta quarta-feira (22), no Centreventos, com apresentações teatrais, oficinas, artesanato, contação de histórias e lançamento de livros. Entre eles “O Aeroporto de Itajaí”, da historiadora Maria de Fátima Maçaneiro Schneider. O livro será lançado nesta quinta-feira (23), às 19h, no espaço da Setorial de Produção Cultural e Literatura. A entrada é grátis.

O livro conta a história do aeroporto itajaiense antes mesmo da sua fundação, em 1950, com o pouso do hidroavião Atlântico, em janeiro de 1927, no rio Itajaí-Açu. O voo que trazia a bordo o itajaiense Victor Konder, ministro da aviação do governo de Washington Luís, é considerado o primeiro da aviação comercial no Brasil.

Aeronave da antiga companhia aérea Vasp/Arquivo Público de Itajaí 

O terminal começou com uma pista de pouso próximo da rua Uruguai na década de 1930, onde hoje estão as casas populares. Além da pista feita de macadame, o rio Itajaí-Açu também foi usado para os pousos dos hidroaviões, o mais famoso deles o Atlântico.

Em 1949, o aeroporto foi transferido para rua Blumenau, onde funciona hoje o escritório da Celesc. Foi na rua Blumenau, que o aeroporto ganhou um terminal de passageiros e o nome Salgado Filho, homenagem ao ministro da aviação de Getúlio Vargas.

Com problemas de infraestrutura, o terminal mudou novamente. Em janeiro de 1970, o aeroporto já com o nome de Ministro Victor Konder, foi transferido para Navegantes.

Hidroavião Atlântico na década de 1930/Foto Arquivo Público de Itajaí

A obra aborda também os acidentes que marcaram a história do aeroporto, passageiros famosos e muitas curiosidades. A pista do aeroporto chegou a ser utilizada para prática da farra do boi na década de 1960.

O livro foi contemplado pela Lei de Incentivo à Cultura de Itajaí e conta com o patrocínio da Brasfrigo.

O 1º Festival Literário de Itajaí segue até domingo (26) e é aberto ao público das 9h às 12h e das 13h30 às 21h.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Penha recebe evento dos 200 anos da Nova Ericeira no dia 30 de novembro

Capela histórica São João Batista em Penha/Foto Turismo Penha

Penha também fez parte da Colônia Nova Ericeira. Para lembrar os 200 anos de criação do primeiro empreendimento pesqueiro do Brasil, o município realiza no dia 30 de novembro, às 19h, no Porto Penha Food Park, um evento alusivo à data. A iniciativa conta com o apoio da Fundação Cultural de Penha. A entrada é grátis.

O evento comemorativo terá a exibição do documentário “Navegantes” e de uma roda de conversa com jornalistas e escritores de Penha e região. Entre eles, Magru Floriano, Rogério Pinheiro, Eduardo (Bajara) Souza, Dieter Hans Kohl, Isaque de Borba Correa e Cláudio Bersi.

O documentário “Navegantes” aborda a colonização portuguesa no litoral catarinense pelo olhar de seus moradores.  Contemplado pela Lei de Incentivo à Cultura de Navegantes e com o apoio cultural da Portonave, o filme mostra que os descendentes de portugueses têm origem em diversas regiões de Portugal e não só do Arquipélago dos Açores.

O Porto Penha Food Park fica na avenida Alfredo Brunetti, nº 481, bairro Armação, próximo ao Parque Beto Carrero World. 

Penha é terceira cidade a receber o evento dos 200 anos da Nova Ericeira em 2017. Os municípios de Bombinhas e Navegantes já lembraram a data este ano. A programação de aniversário segue até março de 2018, em outras sete cidades do litoral catarinense.

Nova Ericeira

Em fevereiro de 1818, Dom João VI foi coroado rei de Portugal, Brasil e Algarves. Uma das primeiras medidas como monarca foi á criação de uma colônia pesqueira no Sul do Brasil. O Aviso Régio de 25 de março de 1818 tornou oficial a ideia sugerida no dia 18 de outubro de 1817, por Justino José da Silva, comerciante e ex-presidente da Câmara Municipal da Ericeira, em Portugal.

A Ericeira é uma vila turística muto conhecida em Portugal/Foto Rogério Pinheiro

Coube ao então Intendente da Marinha de Santa Catarina, o comandante Miguel de Souza Mello e Alvim, a fundação do povoado no litoral catarinense. O local indicado foi a Enseada das Garoupas, hoje cidade de Porto Belo.

Além de Porto Belo, fizeram parte da Nova Ericeira as cidades de Balneário Camboriú, Bombinhas, Camboriú, Governador Celso Ramos (Ganchos), Itajaí, Itapema, Navegantes, Penha e Tijucas.

Os pescadores ericeirenses trouxeram técnicas pesqueiras, que foram repassadas de geração a geração e contribuiu para o desenvolvimento pesqueiro catarinense.

Ericeira
Local de passagem e instalação dos fenícios há 1000 antes de Cristo, a Ericeira é uma vila turística situada a 35 km a noroeste de Lisboa. Ericeira significa "terra de ouriços", devido aos numerosos ouriços do mar que podiam se encontrados nas suas praias.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Evento lembra os 200 anos da Nova Ericeira em Navegantes

     
       Depois de Bombinhas, foi a vez de Navegantes lembrar os 200 anos da Colônia Nova Ericeira. O evento aconteceu na noite de segunda-feira (23), no Centro Integrado de Cultura (CIC). A iniciativa contou com o apoio da Fundação Cultural de Navegantes.

       O evento teve a exibição do documentário “Ericeira: Um mar de história” e uma roda de conversa com a presença dos jornalistas Magru Floriano, Rogério Pinheiro, da escritora Didymea Lazzaris e dos pesquisadores Isaque de Borba Corrêa, Vilma Mafra e Solon Damásio da Costa, o Bilo.

        O documentário “Ericeira: um mar de história”aborda a instalação da Colônia Nova Ericeira em 1817. Editado pela TV Univali, o curta-metragem foi gravado no litoral catarinense e na vila da Ericeira, em Portugal.
 
        Durante a roda de conversa, a escritora e pesquisadora, Didymea Lazzaris, disse não concordar com a presença dos colonos ericeirenses em Navegantes.

- Foram 101 colonos ericeiros. Antes teve a colonização açoriana. Nas palavras de Oswaldo Cabral foram mais de seis mil açorianos. Para mim, Navegantes e Itajaí têm mais a presença açoriana do que da Ericeira – explica.

         Lazzaris admite que faltam mais pesquisas na área.

 - Faltam pesquisas e quanto mais a gente pesquisar, outros erros vamos encontrar e muito mais vamos acrescentar aquilo que queremos conhecer – ressalta a pesquisadora.

          Já Magru Floriano defende que a povoação de Navegantes e região teve inicio com a Colônia Nova Ericeira.

- O nosso fluxo de povoação vem mais do Sul do que do Norte e por isso falamos tão pouco de São Francisco do Sul. No grosso das coisas o pessoal de São Francisco do Sul subiu a Serra. O pessoal de Penha, o fluxo migratório veio da invasão espanhola à Ilha de Santa Catarina e de Navegantes vem da Colônia Nova Ericeira.
 
 
           Floriano criticou a busca pela origem e defende a pesquisa como base a colonização feita como política de Estado.

- Eu busco algum pronto de reflexão na participação do Estado como projeto político, que eu chamo de colonização. Esse negócio de origem é muito complicado, fazer uma análise tendo como uma base fundamental essa questão de ser (português) açoriano ou ser continental. Isso leva a uma armadilha, como criar manifestações culturais – destaca o jornalista.

          Além de Navegantes, as comemorações dos 200 anos da Nova Ericeira serão realizadas até março de 2018, em mais oito cidades catarinenses. 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Navegantes recebe evento dos 200 anos da Nova Ericeira

Pescadores da Ericeira/Crédito Rogério Pinheiro

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epois de Bombinhas, agora é a vez de Navegantes lembrar os 200 anos da Colônia Nova Ericeira. O evento acontece na próxima segunda-feira (23), às 19h30, no Centro Integrado de Cultura (CIC), após a reunião do Conselho Municipal de Cultura. A iniciativa conta com o apoio da Fundação Cultural de Navegantes. A entrada é grátis.

O evento terá a exibição do documentário Ericeira: Um mar de história e uma roda de conversa com a presença dos jornalistas Magru Floriano, Rogério Pinheiro, do historiador Telmo Tomio, do escritor Cláudio Bersi, da escritora Didymea Lazzaris e dos pesquisadores Isaque de Borba Corrêa, Mauri Spezia, Vilma Mafra e Solon Damásio da Costa, o Bilo.

O documentário Ericeira: um mar de históriaaborda a instalação da Colônia Nova Ericeira em 1817. Editado pela TV Univali, o curta-metragem foi gravado no litoral catarinense e na vila da Ericeira, em Portugal.

            O CIC fica na rua Leonor Maria da Cunha, nº 432, Centro, ao lado do Ginásio de Esportes Domingos Angelino Régis.

Além de Navegantes, as comemorações dos 200 anos da Nova Ericeira serão realizadas até março de 2018, em mais oito cidades catarinenses.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Roda de conversa marca primeiro encontro dos 200 anos da Nova Ericeira em Bombinhas


Roda de conversa teve a presença de jornalistas e pesquisadores/Foto Isaque de Borba Corrêa

      A cidade de Bombinhas abriu na noite de sexta-feira (22), as comemorações dos 200 anos da Colônia Nova Ericeira. O evento aconteceu durante o “Pirão Cultural”, no Restaurante Rancho da Ana, bairro José Amândio. O destaque ficou por conta de uma roda de conversa, que foi composta por jornalistas e pesquisadores da região de Itajaí. A iniciativa teve o apoio da Fundação Cultural de Bombinhas.
       
      Além da roda de conversa, o documentário “Navegantes”, que aborda a colonização portuguesa no litoral catarinense, foi exibido para um público estimado em 50 pessoas.

      O filme mostra que os descendentes de portugueses têm origem em diversas regiões de Portugal e não só do Arquipélago dos Açores, como é comum ser divulgado hoje.

Documentário "Navegantes" foi exibido durante evento/Foto Fundação Cultural de Bombinhas 
 
      A vila da Ericeira é um exemplo da diversidade lusa em Santa Catarina. No começo do século 19, pescadores da Ericeira fundaram o primeiro empreendimento pesqueiro do Brasil, a Colônia Nova Ericeira.

      O destaque da noite ficou com a roda de conversa, que foi composta pelos jornalistas Magru Floriano, Rogério Pinheiro, Marcinha Ferreira, Alcides Mafra, Thiago Furtado e os pesquisadores Marquinho Pinheiro e Isaque de Borba Corrêa.

             Isaque (à direita) questiona presença açoriana em Santa Catarina/Foto Fundação Cultural de Bombinhas

      Um dos pontos mais polêmicos discutidos na noite foi à presença açoriana em Santa Catarina. Isaque de Borba Corrêa cita o Primeiro Congresso de História Catarinense, que estabeleceu uma identidade açoriana aos catarinenses em 1948.

- Isso foi artificialmente criado pelos intelectuais da Universidade Federal de Santa Catarina para combater a força do gauchismo que começava a entrar em Florianópolis. Dizem que a história é contada por aqueles quem vencem. A Revolução Farroupilha foi uma guerra que eles (gaúchos) perderam. E nós temos que tomar esse exemplo. Eu prego contra o mito açoriano desde os anos 80 – diz.

      Corrêa defende que os catarinenses tenham uma identidade que não seja açoriana.

- Estamos vendendo a nossa cultura por uma identidade que não é a nossa. Os Açores não é um país e estamos trocando a nossa identidade por isso. A maior cidade açoriana do país é Porto Alegre. Não vejo nenhum morador de Porto Alegre dizer que é açoriano – destaca o pesquisador.

Grupo de estudos deve ser formado para discutir presença açoriana/Foto Fundação Cultural de Bombinhas

      Um grupo de estudos deve ser criado para debater a presença portuguesa em Santa Catarina. Além de Bombinhas, outras cidades catarinenses devem ter eventos sobre os 200 anos da Nova Ericeira. O próximo encontro acontece em Navegantes, no dia 30 de outubro. 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Bombinhas abre comemorações dos 200 anos da Nova Ericeira

Pescadores da Ericeira trouxeram técnicas pesqueiras para o Sul do Brasil/Crédito ICEA
   
     O aniversário de 200 anos da Colônia Nova Ericeira só acontece em março de 2018, mas a data começa a ser lembrada nesta sexta-feira (22), às 19h, durante o “Pirão Cultural”, no Restaurante Rancho da Ana, localizado na rua Leopardo, 571, bairro José Amândio. A entrada é gratuita. 

     O evento terá a exibição do documentário “Navegantes” e uma roda de conversa com os jornalistas Magru Floriano, Marcinha Ferreira, Alcides Mafra, Rogério Pinheiro e os pesquisadores Thiago Furtado, Isadora Manerich e Marquinho Pinheiro. 

     O documentário “Navegantes” aborda a colonização portuguesa no litoral catarinense pelo olhar de seus moradores. O filme mostra que os descendentes de portugueses têm origem em diversas regiões de Portugal e não só do Arquipélago dos Açores, como é comum ser divulgado hoje. O curta-metragem foi gravado em nove cidades de Santa Catarina e foi contemplado pela Lei de Incentivo à Cultura de Navegantes. 

Nova Ericeira
     A Nova Ericeira foi criada oficialmente no dia 18 de março de 1818, em Porto Belo, mas a chegada dos primeiros pescadores da Ericeira (Portugal) ao Sul do Brasil aconteceu um ano antes.

Pescadores em Itajaí (SC) na década de 1970/Crédito Arquivo Público de Itajaí
   
    Fizeram parte da Nova Ericeira as cidades de Balneário Camboriú, Bombinhas, Camboriú, Governador Celso Ramos (Ganchos), Itajaí, Itapema, Navegantes, Penha, Porto Belo e Tijucas. 

     Os pescadores ericeirenses trouxeram técnicas pesqueiras, que foram repassadas de geração a geração e contribuiu para o desenvolvimento pesqueiro catarinense. 

Ericeira 
De vila de pescadores, a Ericeira é hoje um dos balneários mais visitados de Portugal/Crédito Rogério Pinheiro
   
     Local de passagem e instalação dos fenícios há 1000 antes de Cristo, a Ericeira é uma vila turística situada a 35 km a noroeste do centro de Lisboa. Ericeira significa "terra de ouriços", devido aos numerosos ouriços do mar que podiam se encontrados nas suas praias. 

Pirão Cultural 
     O Pirão Cultural é realizado pela Fundação Municipal de Cultura de Bombinhas, as inscrições são gratuitas e devem ser realizadas pelo link: goo.gl/4nkQpq ou pelo telefone (47) 3264-7478. O evento é finalizado com uma degustação à base de pirão e peixe, oferecida pelo restaurante Rancho da Ana. 

     Além de Bombinhas, as comemorações dos 200 anos da Nova Ericeira serão realizadas até março de 2018 em outras nove cidades catarinenses.