sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Um prato para corajosos

A caneja (cação) de infundice é um prato típico da Ericeira (Portugal) e patrimônio gastronômico da vila

        Conta à lenda que um pescador depois de lavar a caneja (espécie de cação) com água do mar e embrulhá-la com jornal foi para casa esquecendo o pacote dentro do pequeno barco. Depois de 15 dias, o pescador encontrou o embrulho com o peixe. Ele retirou o papel e a primeira reação foi tapar o nariz devido ao forte cheiro de amoníaco.
 
         Apesar do odor de urina, o peixe não estava estragado e conservava ainda uma ótima aparência. O pescador resolveu não jogar pescado fora. Ele o cozinhou e para sua surpresa o sabor da caneja era saboroso, embora muito forte. Acompanhado de um vinho tinto e azeite de oliva, o peixe foi consumido todo pelo pescador, que espalhou a novidade pelos quatro cantos.

Ambiente para fazer a caneja de infundice deve estar muito limpo

        Nascia assim a caneja de infundice, o prato típico da vila da Ericeira, em Portugal. Durante muitos anos, principalmente nos meses de inverno, quando o tempo ruim impedia a pescaria, era a caneja de infundice a única carne na mesa.
 
         A caneja não é consumida fresca, mas apenas depois de ser submetida a uma cura que dura uma semana, ou duas, fazendo-a adquirir um aroma muito intenso e característico, a que os locais chamam “infundice”. Hoje o prato é feito da seguinte maneira:
                                                                               
Para preparar o peixe é preciso limpar, salgar e embrulhá-lo. Depois de 15 dias num ambiente escuro ele está pronto para ser consumido
 
       
           Depois de apanhada, a caneja é salgada e embrulhada num saco de pano. Ao fim de três dias, tempera-se com um pouco de sal e volta-se a embrulhar durante mais quatro ou cinco dias.
 
Raramente se encontra a caneja em algum restaurante. Os motivos são: o preço, o tempo para preparar o prato e o cheiro forte de urina
 
        
         Completado uma semana de cura, que deve ser feito em local escuro ou mesmo enterrada, a caneja liberta o tal cheiro insuportável, a infundice. Na Ericeira, os restaurantes não vendem por três motivos, o tempo que leva para ser feito, o preço alto e principalmente o cheiro de urina que o prato exala. Além da Ericeira, uma iguaria parecida é feita também na Noruega, mas com outro tipo de peixe.

          Segundo o ericeirense, Fernando Melo, apesar do cheiro forte, o prato é um dos mais limpos que existe.
 
- Para preparar a caneja de infundice o ambiente teve estar muito limpo. Se por acaso uma mosca pousar no peixe antes de ser embrulhado ele já não presta mais – disse o jagoz (ericeirense).

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Itapema tem a 2ª pior conexão de internet do mundo

Internet não é a pior do planeta porque cidade da Argélia conseguiu ser mais lenta. Brasil está na posição 163 do ranking
A cidade de Itapema tem a segunda conexão média mais lenta de todo o mundo. A informação foi divulgada pela Pando Networks, que publicou em setembro um ranking que mede a velocidade da internet. Itapema tem velocidade de 61 Kbps e só não ficou em último porque a cidade de Algiers, na Argélia, oferece o acesso a 56Kbps. De acordo com o estudo, a média mundial de acesso é 508 KBps.


No ranking o Brasil está posição 163º, atrás de países como Níger, Haiti, Etiópia e Angola. A liderança está nas mãos da Coreia do Sul, que cravou 2,2 MBps. Em segundo lugar vem a Romênia, com 1,9 MBps, seguida de Bulgária (1,6 MBps), Lituânia (1,5 MBps) e Letônia (1,4 MBps). Os EUA têm média de 616 KBps a China, de 245 KBps.


A pesquisa se baseou em 27 milhões de downloads feitos de 20 milhões de computadores espalhados pelo globo. Apesar de se referir a países, a lista não é composta apenas por nações. Em duas ocasiões, foram encontradas classificações como "Anonymous Proxy" e "Satellite Provider" que, segundo a Pando, referem-se a conexões realizadas por meio de proxy e provedor via satélite cujo país de origem não pôde ser identificado.


Fundada em 2004 em Nova Iorque, a Pando Networks é uma empresa de distribuição de mídia apoiada pela Intel Capital, Capital Partners e BRM Wheatley. A empresa é especializada em distribuição de jogos, vídeo e software para os editores e distribuidores de mídia.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

O fantasma da Casa Burghardt

Casarão da Rua Lauro Müller e seus antigos moradores escondem muitos segredos

     Todos os meses a Fundação Cultural de Itajaí realiza na sua Galeria de Artes uma exposição. A do dia 05 de maio de 2009 era para ser mais uma das inúmeras exposições que já passaram pelo local. Mas, aquela noite de abertura não foi um dia qualquer e os fatos que aconteceram durante o evento são lembrados até hoje.

     Naquela noite, enquanto o público prestigiava a abertura da mostra, uma mãe levou sua filha até o corredor lateral do prédio e ambas sentaram num banco. Acima delas ficam as janelas do primeiro andar da casa e toda a parte administrativa da Fundação Cultural de Itajaí. Na janela, uma pessoa se aproximou e ficou a observar mãe e filha por um tempo.

     A mãe achou estranha a atitude da pessoa e relatou que tinha acontecido para a funcionária da Fundação Cultural, Elisiane Dalmolin, que estranhou o fato, já que as portas que levam até as salas do primeiro andar estavam trancadas e ninguém tinha autorização de subir até o local fora do expediente. Elisiane resolveu subir e ver quem era a pessoa que estava no primeiro andar. Ela abriu todas as salas e para sua surpresa e também das visitantes não havia ninguém. Tudo estava no seu lugar.
 
Corredor onde mãe e filha viram a misteriosa moradora da Casa Burghardt

     A história testemunhada por Elisiane é apenas uma de muitas histórias assustadoras que rondam o prédio da Fundação Cultural. Para muitos moradores de Itajaí, a pessoa que mãe e filha viram na janela é o fantasma da antiga proprietária da casa, a senhora Mathilde Bauer, conhecida como Dona Cachorrinha. Além de passos na escadaria de madeira que leva ao primeiro andar e de gemidos, Dona Cachorrinha já foi vista mais de uma vez, na janela da frente segurando uma vela.

     Verdade ou não, as histórias fantasmagóricas já fazem parte da cultura e da história de Itajaí. Antes de ser sede da Fundação Cultural, a casa foi residência e comércio da senhora Mathilde e de seus dois maridos, o primeiro Harry Hundt e segundo Nicolau Burghardt.

     A história começa no distante ano de 1902, quando o imigrante alemão Harry Hundt contratou o arquiteto também alemão Reinhold Roenick, para construir uma casa que servisse de residência e também para o comércio. A localização da casa foi uma exigência de Hundt. Situada na margem do rio Itajaí-açu, a casa possui duas fachadas: a principal, para a rua Lauro Müller e uma secundária, para o rio.
 
Mathilde Bauer, depois Hundt e por fim Burghardt morreu em 1955 

     Com a casa já erguida, em 1903, Hundt se casou com Mathilde Bauer. Com a palavra Hundt em alemão é cachorro, dona Mathilde ganhou o apelido de Dona Cachorrinha. O primeiro comércio foi uma Casa de Louças. Ainda em 1903, Harry Hundt faleceu em Hamburgo (Alemanha). A única foto que se tem do negociante alemão é dele dentro de um caixão.

     Em 1910, Matilde casou com outro rico comerciante, o senhor Nicolau Burghardt. O comércio continuou até a década de 1930, quando o térreo da casa se tornou sede da “Companhia Catharinense de Telégraphos” de Santa Catharina”. Em seguida a Casa Burghardt virou uma confeitaria. Nicolau faleceu na década de 1940 e Mathilde em 1955.
 

Harry Hundt morreu em Hamburgo em 1903. A única prova da sua morte na Alemanha é essa foto

     Após a morte da senhora Burghardt, a casa foi sede de um clube, o “Seares’s Bar”. Durante a década de 1960 começaram a surgir as primeiras histórias envolvendo o fantasma da senhora Burghardt, como explica o ex-superintendente da Fundação Cultural de Itajaí, Agê Pinheiro.

     - Muitas histórias são contadas em torno na mítica assombração de Mathilde Burghardt. Dizem que na época em que funcionou o Seare’s Bar uma dama vestida de branco aparecia no salão superior do casarão e quando a procuravam para dançar ela sumia – disse Agê Pinheiro. 

Nicolau  Burghardt é o último da esquerda para a direita

     Sobre a vida de Mathilde Burghardt pouco se sabe. A escritora Marlene Rothbarth, 77 anos, frequentou a casa junto com a mãe e se lembra da senhora Burghardt

    - Era uma pessoa calada e quieta. Não era de sorrir e sempre com semblante austero. Quando eu ia à casa junto com a minha mãe nós a encontrávamos sempre ela com avental. Na época morava com uma sobrinha, mas nunca teve filhos – conta a escritora.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O filho do padeiro que virou presidente do Brasil


Nilo Peçanha é descrito pelos livros de história como sendo branco
Ele era mulato, filho de um padeiro e chegou à presidência do Brasil. Tudo isso menos de 20 anos após a libertação dos escravos em 1889. A proeza de Nilo Procópio Peçanha é bem maior que seu colega Luiz Ignácio Lula da Silva, eleito em 2002 e porque não dizer do presidente americano Barak Obama. Embora muitas vezes fosse retratado como branco era mulato.

Nilo Peçanha não foi eleito diretamente, assumiu a presidência com a morte de Afonso Pena, de quem era vice. Exerceu o cargo de 14 de junho de 1909 a 15 de novembro de 1910. De origem humilde, Peçanha construiu uma sólida carreira política, ascendendo, em um intervalo de poucos anos, de senador a presidente do estado do Rio de Janeiro – nome da época para o cargo de governador – e a presidente do Brasil.

O menino da padaria
Nilo Peçanha nasceu no dia 02 de outubro de 1867, na Fazenda do Desterro, no limite com o Espírito Santo, município de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro, filho de Sebastião de Sousa Peçanha e Joaquina Anália de Sá Freire Peçanha. Nilo Peçanha ou o “Menino da Padaria”, como era conhecido (devido ao seu pai ter um comércio de padaria), viveu seu início de vida num sítio em Morro do Coco, onde cresceu ouvindo histórias da negra Delfina, que falava do sofrimento dos escravos.

Filho de um padeiro, Peçanha chegou a presidência da República em 1909
Quando chegou à idade escolar a família se mudou para Campos, onde Nilo foi matriculado no Liceu de Humanidades de Campos. Formou-se na Faculdade de Direito do Recife já com vinte anos de idade. Numa viagem de trem de Campos para o Rio de Janeiro, o jovem Nilo conheceu e de apaixonou perdidamente por uma jovem de nome Anita Castro Belisário de Sousa, com a qual se casou no dia 06 de dezembro de 1895. Dos três filhos que teve nenhum conseguiu chegar à fase adulta.

Anita era descendente de uma rica família de Campos. O casamento foi um escândalo social, pois a noiva teve que fugir de casa para poder se casar com um sujeito pobre e mulato.

No mesmo em que se casou, Peçanha ajudou a fundar o Clube Republicano de Campos, do qual foi presidente, bem como do Partido Republicano. Após a instauração do regime republicano em 15 de novembro de 1889, Nilo intensificou sua atividade político-partidária e foi eleito deputado, participando da Assembléia Constituinte responsável pela primeira Constituição republicana de 1891.

Foi eleito em sucessivos pleitos e em 1903 foi eleito para deputado federal, quando assumiu uma cadeira no Senado. Em 1903, renunciou à sua vaga na Câmara Alta para assumir a Presidência do Estado do Rio de Janeiro, que exerceu até 1906. Neste ano, foi eleito Vice-Presidente de Afonso Pena.

Em 1909, devido à morte de Afonso Pena, Nilo Peçanha tornou-se Presidente da República. Nilo estava com 42 anos ao assumir a Presidência da República.

Nilo Peçanha era motivo de chacota nos jornais por causa do tom da sua pele
 Em seu governo recriou o Ministério da Agricultura, órgão que aglutinou os grupos regionais dissidentes. Introduziu importantes alterações no funcionamento do Estado, o que representou uma obra de grande alcance. Criou Lei permitindo, pela primeira vez, o trabalho feminino nas repartições públicas. Criou o Imposto Territorial, criou o Ensino Técnico-profissional (com as Escolas de Aprendizes de Artífices), o Serviço de Inspeção Agrícola, a Diretoria da Indústria Animal, a Diretoria de Meteorologia e o Serviço de Proteção ao Índio.

Faleceu em 1924, no Rio de Janeiro, afastado da vida política e foi sepultado no Cemitério de São João Batista.

Fonte: Presidentes do Brasil, Editora Rio.
FONTE: http://institutohistoriar.blogspot.com/2008/09/srie-presidentes-do-brasil_21.html

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A vila da Ericeira em Portugal tem mais de dois mil anos de história e foi tema de um documentário
O documentário “Ericeira: um mar de história” será exibido, gratuitamente, nesta quarta-feira (31), em Balneário Camboriú. O vídeo que conta a história da vila portuguesa da Ericeira vai ser apresentado no Programa Cineclube, da Fundação Cultural. A sessão começa às 19h30, na Biblioteca Machado de Assis, localizada na Terceira Avenida, esquina com as ruas 2500 e 2550. O documentário foi produzido pela TV Univali e conta com apoio cultural das Lojas Sibara.

O Cineclube é um programa coordenado pelo Arquivo Histórico de Balneário Camboriú e exibe filmes sempre na última quarta-feira do mês, dando preferência a obras não comerciais. A entrada é gratuita e a reserva de lugares pode ser feita no local ou pelo telefone 3264-5706, das 13 às 19 horas.


Pescadores ericeirenses são alguns dos personagens do documentário que foi filmado em agosto de 2010
O documentário aborda a importância da vila portuguesa da Ericeira (distante 40 quilômetros de Lisboa) para instalação de uma colônia pesqueira no Litoral de Santa Catarina no século XIX, a Colônia Nova Ericeira, criada por Dom João VI em 1818, na Enseada das Garoupas, hoje a cidade de Porto Belo. Cerca de 300 famílias vieram da Ericeira e de outras cidades de Portugal Continental.

Com direção e roteiro do jornalista Rogério Pinheiro, o documentário traz entrevistas com pescadores, personalidades e brasileiros que foram trabalhar na vila portuguesa. A Ericeira é um dos três lugares em Portugal com a maior concentração de brasileiros. A vila, com mais de dois mil anos de história, tem no turismo a sua principal atividade econômica.

Voltada para o Atlântico Norte, a Ericeira sempre dependeu do mar, seja na pesca e construção naval como o turismo
Desde março deste ano, o filme está sendo exibido, gratuitamente, em escolas públicas, associações de moradores, entidades e colônias pesqueiras do Litoral de Santa Catarina. No itinerário estão as cidades que fizeram parte da Colônia Nova Ericeira: Balneário Camboriú, Bombinhas, Camboriú, Governador Celso Ramos (Ganchos), Itajaí, Itapema, Navegantes, Porto Belo e Tijucas.

Serviço
Evento: Cineclube FCBC – “Ericeira: um mar de história”
Data: 31 de agosto, quarta-feira
Horário: 19h30
Local: Arquivo Histórico de Balneário Camboriú
Endereço: Terceira Avenida, esquina com as ruas 2500 e 2550
Entrada gratuita

As rendeiras de Peniche


Escola de Rendas de Peniche é uma das mais antigas de Portugal

      Na sala o silêncio é total e a atenção sempre voltada à almofada. As mãos ágeis e experientes conduzem agulhas feitas de madeira em movimentos circulares. De um simples novelo de linha surge então uma obra arte: a renda bilro. Na cidade de Peniche, em Portugal, esse mesmo trabalho é feito há mais de 350 anos com maestria.

      Peniche fica numa península com cerca de dez quilômetros. A cidade portuguesa está localizada a 100 quilômetros a Noroeste de Lisboa. Com população estimada em 30 mil habitantes, Peniche é considerado o maior porto pesqueiro de Portugal e conhecido também pelas belas praias e a reserva natural das Berlengas.

Rendeiras de bilro mantém arte há mais de 350 anos

      A cidade também é conhecida em Portugal pelas famosas rendas de bilros. Segundo historiadores, já no século XVII os bilros saracoteavam nas almofadas cilíndricas das mulheres penichenses a dar vida às formas mais ou menos ingênuas dos desenhos traçados sobre os piques cor de açafrão. Um testemunho datado de 1625, sobre a doação de uma renda comprova a origem e fama das rendeiras de Peniche.

      Antes de ser considerada uma arte, a renda de bilro era um trabalho necessário. A atividade exercida pelas mulheres de pescadores ajudava e muito no sustento de suas famílias. Na época em que os homens não podiam sair para o mar devido ao mau tempo, era a venda das rendas feitas pelas mulheres que traziam um alivio no orçamento de casa.
 
Por muitos anos as mulheres de Peniche dependiam da venda da renda de bilro

      De Peniche, a renda ganhou o mundo e chegou ao Brasil, principalmente no Litoral de Santa Catarina, onde se utiliza uma técnica muito semelhante aos utilizados pelas rendeiras de Peniche. Na cidade portuguesa é notória a relação da renda praticada no Brasil com a de Peniche e também de outra cidade portuguesa, Nazaré.
 
Fortaleza de Peniche, onde funciona o museu municipal

     Em meados do século XIX existiam em Peniche quase mil rendeiras. Com a industrialização, as rendas de bilros de Peniche foram sofrendo uma regressão, que atingiu o seu ponto mais drástico com a extinção da disciplina facultativa da sua aprendizagem no ensino secundário. A arte encontra-se atualmente salvaguardada graças a Escola de Rendas de Peniche. Hoje, 500 penicheiras se dedicam à sua confecção.

 
      Entre elas está à senhora Maria Ambrósio, 70 anos, começou a fazer rendas ainda criança.
 
- Enquanto meus irmãos trabalhavam nas empresas de pesca eu com 11 anos, já fazia as rendas parar vender. Não dava tempo nem de ir à escola. Depois casei e fui trabalhar nas redes de malhar, utilizada na pesca – contou a senhora.
 
      Já rendeira Adelina Conceição Gonçalves, 76 anos, começou ainda mais cedo que a colega Maria.
 
- Aprendi a fazer a renda de bilro quando tinha quatro anos. Depois cresci e fui trabalhar na fábrica de redes e depois nos armazém, consertando redes para as traineiras (barcos de pesca) – recorda.
 
       Maria da Conceição Simões, 65 anos de idade e 55 dedicados a renda de bilro, resume o que é ser uma rendeira de Peniche.
 
- O dia em que deixar de fazer renda por não enxergar mais ou por outro motivo qualquer acho que minha vida também acaba. A renda de bilro é meu passatempo favorito e se não conseguir fazer mais seria um grande desgosto – disse a rendeira emocionada.

Navegantes nos tempos da Exponave


Multidão lotava a Exponave que teve nove edições e deixou muitas saudades
Navegantes completou no dia 26 de agosto, 49 anos de emancipação político-administrativa. Nesses quase meio século de história, uma festa que era símbolo das comemorações do aniversário do município é lembrada com saudade pelos moradores. A Exponave surgiu no final da década de 1980 e trouxe para Navegantes muitos artistas de fama nacional. Há mais de 15 anos, a festa não existe, mas as lembranças dos festejos continuam até hoje.

Em 1988, Navegantes era um município com menos de 20 mil habitantes e a base da sua economia eram as empresas de pesca, a agricultura e o comércio. Havia poucas pessoas de fora e os moradores se conheciam. Foi nesse cenário que foi criada uma festa para comemorar o aniversário do município. Surgia assim a Exponave. A festa acontecia Ginásio de Esportes Domingos Angelino Régis e atraia uma multidão de Navegantes e cidades vizinhas. A Exponave chegou a ter um público aproximado de 50 mil pessoas em uma única edição.

Festa acontecia em frente ao Ginásio de Esportes de Navegantes
A festa proporcionava aos seus visitantes uma feira comercial e industrial, além de outras atrações. Os blocos carnavalescos de Navegantes tinham o direito de ter barracas, onde comercializam bebida e comida. O dinheiro arrecadado era utilizado para investir no carnaval. Os shows nacionais eram as atrações mais aguardadas pela população da cidade e da região.

Martinho da Vila foi uma das atrações da Exponave. Ao seu lado está o Bilo
Num período de nove edições, diversos artistas famosos fizeram shows em Navegantes. Luiz Airão, Martinho da Vila, Alcione, Jair Rodrigues, RPM, Ultraje a Rigor, Paulinho da Mocidade, TNT, Garotos da Rua, Wanderlei Cardoso, Ângelo Máximo, Wanderléia e as alas das escolas de samba da Mangueira e Império Serrano, ambas do Rio de Janeiro.

Solon Damásio da Costa, o Bilo, foi o idealizador da festa e disse que a Exponave foi pioneira a dar oportunidade para artistas que estavam esquecidos.

- Trouxemos artistas que estavam esquecidos como Ângelo Máximo, Wanderléia, que tiveram shows concorridos. O show da Wanderléia foi um sucesso. A escola de samba Império Serrano foi também teve também lotação máxima – lembra.

Bilo explicou que a mudança de governo fez que a Exponave mudasse de nome. Para o navegantino, a festa acabou assim que começaram a cobrar entrada.

- Era uma festa que não dava prejuízo e se existisse hoje seria uma das mais tradicionais da região. O diferencial dela era a presença de artistas nacionais, tínhamos sempre uma grande atração por noite. Assim que ela mudou de nome resolveram cercar a área do Ginásio de Esportes e cobrar ingressos. A população que estava acostumada a não pagar para entrar na festa não gostou e acredito que isso motivou o fim da festa – ressaltou Bilo.

Primeira edição da Exponave foi realizada em 1988. Abertura contou com a presença de autoridades
Entre os moradores, saudades da Exponave não faltam. Lembranças que no mês de agosto sempre insistem em voltar. Para Reni Romão, uma festa como a Exponave jamais Navegantes terá de novo.

- Depois da Exponave, Navegantes nunca teve uma festa igual. Nessa época do ano as pessoas já estavam empolgadas com os shows nacionais. Além de Navegantes vinha gente até de Blumenau para participar da festa. Os estandes eram concorridos, empresários e comerciantes disputavam um lugar para vender seus produtos – recorda Reni, que trabalhou muitos anos na parte comercial da festa.

Outra banda que esteve em Navegantes para a Exponave foi o RPM
A última Exponave aconteceu em 1996. Um ano depois virou Exponafest. Em seguida, a festa trocou de nome novamente e começou a ser chamada de Navifest. A Navifest durou apenas duas edições para nunca mais voltar.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A preferência pelos clubes cariocas

O futebol surgiu no Rio de Janeiro por iniciativa de Oscar Cox, no distante ano de 1901. Filho de pai inglês e mãe carioca, Cox organizou naquele ano, a primeira partida de futebol do Rio de Janeiro. Jogaram brasileiros contra ingleses que residiam na cidade carioca. O jogo terminou empatado em 1 x 1, mas quem ganhou mesmo foi o futebol brasileiro.

No ano seguinte, foi fundado o Fluminense Football Club, o primeiro clube carioca de futebol. O Clube de Regatas do Flamengo surgiu em 1895, mas o com time de futebol em 1912.

Outro clube de regatas, o Vasco da Gama foi fundado em 1898 e deu inicio no futebol em 1915.

O Botafogo Futebol e Regatas, apesar de ter surgido em 1894, começou as atividades dentro de campo em 1942.

Os clubes cariocas ganharam fama e começaram a chamar atenção da torcida de outras partes do país, principalmente no Norte e Nordeste do Brasil.

No Sul, o Rio Grande Sul tem como referência a dupla grenal e no Paraná os clubes paulistas, Corinthians, São Paulo e Palmeiras.

Já em Santa Catarina, enquanto as regiões Oeste e de Serra são gremistas ou colorados, do Litoral, de Norte a Sul, a torcida é para Flamengo, Vasco da Gama, Botafogo e Fluminense. Mas, como surgiu a preferência da torcida por times do Rio de Janeiro?
                                      Segundo o comentarista esportivo rádios do Rio contribuiram   

Para o comentarista e ex-goleiro do Marcílio Dias, Eládio Cardoso, o interesse pelo futebol carioca surgiu com as transmissões das partidas de futebol pelas rádios do Rio de Janeiro.

- Antes da televisão chegar, a única maneira de acompanhar um jogo de futebol era pelo aparelho de rádio. Em Itajaí na década de 1960, as rádios que davam para sintonizar eram as da cidade do Rio de Janeiro, a Rádio Tupi e Rádio Globo - explicou o ex-jogador.
Para Marinho torcida para times cariocas está centrada no Litoral
 A mesma opinião tem Célio Marinho, comentarista esportivo há mais de 47 anos na região de Itajaí.

- As rádios Mauá, Continental, Globo e Tupi eram as únicas que se conseguiam ser sintonizadas e por isso acredito que surgiu o interesse da torcida pelos times do Rio. Eu mesmo comecei a torcer ouvindo rádio. Quando era criança, -

eu ouvia os jogos de futebol, sempre que meu vizinho colocava o rádio dele em cima do muro. Virei torcedor ouvindo rádio - recorda

Marinho ressalta que a torcida por times cariocas em Santa Catarina está mais no Litoral.

- Na Região Oeste e também na Serra temos uma torcida bem maior para Internacional e Grêmio. Nessas regiões do Estado temos muitas influências do Rio Grande do Sul. No Litoral temos uma outra realidade, já com uma torcida muito forte para os clubes da cidade do Rio de Janeiro - completou o comentarista esportivo.

Entre a torcida de Flamengo, Vasco, Fluminense e Botafogo na região o que não falta é rivalidade.
Marcelo chegou a ir a Florianópolis torcer contra o rival Vasco da Gama
Marcelo Morgado, 36 anos, é um torcedor fanático pelo Flamengo e chegou até ir de Itajaí a Florianópolis só para torcer contra o rival Vasco da Gama.

- Este ano cheguei a ir ver Avaí e Vasco, mas não deu muito certo o Avaí perdeu – brinca o torcedor rubro-negro.

Vascaíno Fabrício Marinho começou a torcer por causa do pai
Fabrício Marinho, 40 anos, torce pelo Vasco desde criança e a paixão pelo time carioca começou por influência do pai. Quando pode, Marinho vai ver o time do coração jogar.

- Já fui ver o Vasco em Curitiba, Florianópolis e até quando o clube caiu parar a segunda divisão eu fui ver o jogo – conta.
                                             
Por causa de Rivelino Álvaro começou a torcer pelo Fluminense
Filho de pai vascaíno, Álvaro César Moreira, 54 anos, começou a torcer pelo fluminense em 1975.

- Foi quando Rivelino foi jogar no fluminense. A partir daí comecei a torcer. Hoje vou ver sempre os jogos. – explicou o torcedor.
Para Ismael Garrincha foi o grande nome da história do Botafogo
 Ismael Inácio Bento, 48 anos, é de uma família de botafoguenses e tem como ídolo Garrincha.

- Meu pai era torcedor do Botafogo e meus filhos são também. Garrincha foi o grande ídolo do time e anos esquecíveis como torcedor foi o título do Campeonato Carioca de 1989 e o Campeonato Brasileiro de 1995 – destacou o botafoguense.

A polêmica origem do Boi de Mamão

Boi de Mamão pode ter origem na Espanha e não em Portugal como é conhecido
Se você perguntar para um morador de uma das 15 ilhas do Arquipélago dos Açores (Portugal), o que significa a palavra “Boi de Mamão”, é provável que ele não saiba responder. Mesmo assim a manifestação folclórica praticada em Santa Catarina desde o século 19 é atribuída à cultura açoriana, mesmo nunca tendo existido nos Açores. Agora uma nova pesquisa tenta desvendar a origem ainda incerta do boi mais famoso de Santa Catarina.

No recém-lançado “O Boi de Mamão folguedo folclórico da Ilha de Santa Catarina - Introdução ao seu estudo”, o professor e folclorista Nereu do Vale Pereira, oferece mais uma pista de onde surgiu o folguedo. Para a surpresa de muitos historiadores o boi de mamão não veio do Boi Bumbá nordestino e sim dos espanhóis que aqui estiveram entre anos de 1500 a 1800.

Estudioso da cultura açoriana, o professor descarta a origem do folguedo nos Açores, contrariando o pensamento de muitas pessoas que divulgam a tradição.

- Nos Açores não existe boi de mamão. Há brincadeira com boi de verdade, no campo ou na corda - contesta o pesquisador.

Boi Bumbá é uma das explicações para a origem do boi catarinense
Segundo Pereira, o folguedo catarinense tem semelhança com práticas ibéricas ligadas às corridas de touros como Juego de La Vaquilla ou Touro de Mimbre, feito com bois falsos para iniciar os jovens nas touradas.

- Bem diferente da forma ritualística do Bumba Meu Boi nordestino, de influência africana - completou o professor.

O livro

Com 188 páginas, a obra aborda a origem do Boi de Mamão como folguedo folclórico em Santa Catarina, assim como formas de organização da brincadeira, desde a construção dos personagens e confecção do figurino, além da seleção das cantorias e treinamento dos cantores e dançadores para sair às ruas.

Livro tenta desvendar a origem do Boi de Mamão
O livro traz ainda ilustrações de obras feitas por artistas espanhóis no século 18, que mostram imagens de brincadeiras com bois falsos confeccionados em madeira, couro ou tecido.

O trabalho é o resultado da experiência de mais de 30 anos com o Boi de Mamão.

A brincadeira

O folguedo conta a morte e ressurreição do boi. O primeiro registro em Santa Catarina é do ano de 1830. Entre os personagens estão o proprietário do boi, a bermuncia e seu filhote, a maricota, o doutor, a viúva, o cavalinho, os outros bois, os corvos e o boi.

A polêmica origem do boi de mamão

Antigamente, a brincadeira era conhecida como “Boi de Pano”, mas com a pressa de fazer o personagem começou a ser usado um mamão verde para representar a cabeça do boi.

Brincadeira envolvendo o boi é encontrada também em outras partes do Brasil e são conhecidas como Boi

Bumba e Bumba Meu Boi.

Os bois mais famosos do país são o “Caprichoso” e o “Garatindo”, do Festival Folclórico de Parintins, nos Amazonas.

Não concorda

O professor e historiador Ivan Serpa considera um absurdo tentar encontrar a origem do boi na Europa. Serpa trabalha com o Boi de Mamão há dois anos, no bairro Itaipava, em Itajaí.

- O boi de mamão possui características de várias culturas e não só européia. É um erro querer atribuir a origem do folguedo aos espanhóis - disse.

Serpa concorda apenas que a brincadeira não tem origem nos Açores.

- No ano passado um grupo folclórico dos Açores esteve em Itajaí. Ninguém do grupo açoriano sabia dizer o que era a palavra Boi de Mamão – explicou o professor.



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Caçada ao submarino alemão

 
Navio brasileiro "Tutóya" sendo torpedeado pelo U-513
     Quando o submarino alemão Unterwasser-Schiff 513 (U-513), comandado por Friedrich Guggenberger, veio para o Atlântico Sul, recebeu de Hitler uma única missão: afundar o máximo de navios em águas brasileiras. Guggenberger, então com 28 anos na época, chegou a ser condecorado por Hitler, após afundar um grande porta-aviões inglês.

           No dia 21 de junho de 1943, o navio de bandeira sueca SS Venezia foi a primeira vítima do U-513. A embarcação avistada próxima ao Arquipélago de Abrolhos, no litoral da Bahia, foi torpedeada. O navio afundou tão rápido que a tripulação não teve tempo de chamar SOS. O ataque do submarino alemão só foi descoberto uma semana depois, assim que parte da tripulação chegou em terra firme.
 
            Quatro dias depois, o alvo foi o navio petroleiro americano “Eagle”. Foram mais de 12 horas seguidas de perseguição ao petroleiro da Standard Oil. Ainda no litoral fluminense, o U-513 afundou, no dia 30 de junho de 1943, o navio brasileiro “Tutóia”.
 
O submarino alemão antes de iniciar mais um ataque
 
       Embarcação seguia de Paranaguá, no Paraná, para o porto de Santos, quando foi surpreendida pelo submarino alemão. Dos 37 tripulantes, 30 conseguiram sobreviver.

       Já em águas paulistas, o submarino alemão torpedeou no dia 03 de julho outro navio americano, o Elihu B. Washburne, próximo a Ilha Bela. O navio seguia também para Santos e transportava café para os Estados Unidos.

       Seguindo em direção ao Sul, o submarino comandado por Guggenberger afundou o navio inglês “Incomati”. No Litoral de Santa Catarina, aconteceu a última missão do U-513. Navegando próximo de Florianópolis, o “Richard Caswell” foi atacado e torpedeado no dia 16 de julho. O navio de bandeira dos Estados Unidos vinha de Buenos Aires com uma carga valiosa de tungstênio e magnésio.


O U-513 foi responsável por afundar diversos anvios na costa brasileira
               
          Ainda em mares catarinenses, Guggenberger cometeu um erro que foi fatal para sua derrota. Depois de uma longa conversa via rádio, o capitão americano Roy Whitcomb, que já estava no encalço do submarino alemão, conseguiu interceptar a conversa e fazer a sua localização. O submarino estava a cerca de 170 quilômetros de Florianópolis.


Comunicação interceptada ajudou na localização do subamrino no Litoral de SC
      
        Na manhã nublada do dia 19 de julho de 1943, o hidroavião PBM 5 Mariner, pilotado por Whitcomb, decolou de Florianópolis. O submarino alemão é localizado às 15h30 daquele dia. A tripulação, assim que avistou a aeronave americana, até tentou submergir novamente, mas não havia mais tempo.


Números circulados em vermelho são os submarinos alemães afundados no Brasil
          
        Seis bombas foram jogadas em direção ao U-513 e duas acertam o casco. Dos 46 tripulantes, sete sobreviveram, entre eles Guggenberger. O comandante alemão e os outros tripulantes foram resgatados quase um dia depois do ataque. Eles foram levados para a cidade de Recife e em seguida para os Estados Unidos.

U-513 é localizado

        As coordenadas deixadas pelo capitão americano Roy Whitcomb ajudaram Vilfredo e Heloísa Schürmann na localização do U-513. O casal de aventureiros assinou um convênio de cooperação com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) para localização e confirmação, por meio de prospecção oceanográfica, da posição do submarino. A descoberta veio na noite do dia 14 de julho de 2011, cinco dias antes de completar 68 anos do ataque que afundou o U-513.

       Os restos do submarino foram encontrados a 75 m de profundidade próximo ao Litoral de São Francisco do Sul. Para achar o U-513, Vilfredo e Heloísa foram aos Estados Unidos e à Alemanha pesquisar nos arquivos das marinhas americana e alemã. O filho Wilhelm comprou em Boston um radar do mesmo tipo do que localizou o transatlântico Titanic no Atlântico Norte, em 1985. As buscas foram feitas numa área a 75 quilômetros a leste de Florianópolis.
 
Hidroavião americano que afundou o submarino alemão U-513
           
        As buscas dos Schürmann se concentraram na área entre os locais onde o hidroavião americano patrulhava o mar e o ponto onde os náufragos foram resgatados, um dia depois do afundamento.

- Os relatos da época falam de uma mancha de óleo de 30 milhas levada pela corrente”, contou Vilfredo.

      Segundo o navegador, no local a profundidade é de aproximadamente 100 metros, fundo demais para mergulhadores. Vamos usar um submarino robô para filmar dentro do U-513. -disse.


Navio americano resgatou Guggenberg e seis tripulantes do U-513

        Durante a Segunda Guerra Mundial, foram afundados em águas brasileiras 11 submarinos alemães. Vários grupos de arqueologia submarina desenvolvem trabalhos de pesquisa documental para tentar achá-los, mas o U513 foi o primeiro a ser encontrado.

        Foram torpedeados de 22 de março de 1941 a 23 de outubro de 1943, 91 navios mercantes nacionais e estrangeiros por submarinos do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

Desapareceu na floresta

         Após ser preso no Litoral de Santa Catarina, Friedrich Guggenberger foi transferido para o campo de prisioneiros nos Estados Unidos. Guggenberger e outros prisioneiros de guerra conseguiriam fugir no dia 23/12/1944. A fuga durou 13 dias e os prisioneiros foram recapturados próximo a fronteira mexicana. Guggenberger foi libertado pelos Aliados em agosto de 1946.
 
Guggenberg (o terceiro da esquerda para direita) foi condecorado por Hitler
         Após a guerra voltou para a Alemanha e tornou-se arquiteto. No dia 13 de Maio de 1988, Guggenberger resolveu passear em uma floresta e nunca retornou. Seu corpo foi encontrado dois anos mais tarde.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Professores assistem documentário sobre a Ericeira

                                                                            
O documentário “Ericeira: um mar de história” foi exibido nesta quarta-feira (08), em Navegantes. A apresentação foi feita no auditório da prefeitura para professores da rede municipal de ensino. O documentário retrata a história da vila da Ericeira, localizada a 40 quilômetros de Lisboa. O filme aborda a importância da vila portuguesa para instalação de uma colônia pesqueira no Litoral de Santa Catarina no século XIX, a Colônia Nova Ericeira. As imagens foram captadas no mês de agosto de 2010, pelo jornalista Rogério Pinheiro, que também assina o roteiro e direção. A Nova Ericeira é considerada a primeira companhia pesqueira do Brasil.

Além de belas imagens, o documentário traz entrevistas com pescadores, personalidades e brasileiros que foram trabalhar na vila portuguesa. A Ericeira é um dos três lugares em Portugal com a maior concentração de brasileiros. A vila, com mais de dois mil anos de história, tem no turismo a sua principal atividade econômica.

Professores de Navegantes conferiram o documentário exibido no auditório da prefeitura
O filme está sendo exibido, gratuitamente, em escolas públicas, associações de moradores, entidades e colônias pesqueiras do litoral catarinense. No itinerário estão as cidades que fizeram parte da Colônia Nova Ericeira: Balneário Camboriú, Bombinhas, Camboriú, Governador Celso Ramos (Ganchos), Itajaí, Itapema, Navegantes, Porto Belo e Tijucas.

O documentário Ericeira: um mar de história foi produzido em parceria com a TV Univali e conta com o apoio cultural das Lojas Sibara.

Sobre a colônia

A Colônia Nova Ericeira foi criada por Dom João VI, em 1818, na Enseada das Garoupas, hoje a cidade de Porto Belo. Ao todo cerca de 300 famílias, a maioria formada por pescadores, vieram da Ericeira e outras cidades de Portugal.

Informações adicionais pelo e-mail anovaericeira@gmail.com